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Recomeçar também é descobrir do que somos capazes: na confeitaria, Reizane encontrou um novo caminho

Após um grave acidente que mudou sua vida, Reizane Barbosa Rego precisou se adaptar a uma nova realidade

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Quarta, 23 de setembro de 2026.
Prefeitura Municipal


Entre massas, recheios e os detalhes de cada receita, Reizane Barbosa Rego, de 45 anos, encontrou mais do que uma atividade profissional. Foi na confeitaria que ela descobriu novas possibilidades e, aos poucos, construiu um caminho marcado por adaptação, autonomia e recomeços.

Há nove anos, aos 36 anos, Reizane sofreu um grave acidente de carro que mudou completamente sua vida. Na tragédia, perdeu a mãe, com quem tinha uma relação muito próxima, e também o braço direito, além de sofrer uma fratura no braço esquerdo.

Os meses seguintes foram de recuperação no Hospital Geral do Estado (HGE). Além de enfrentar o luto pela perda da mãe, Reizane precisou lidar com uma realidade até então desconhecida: depender de outras pessoas para realizar atividades que antes faziam parte naturalmente do seu cotidiano.

Com o passar do tempo e o avanço da fisioterapia, veio também a necessidade de pensar sobre o futuro. Em meio às incertezas, ela encontrou na própria família uma das principais motivações para continuar.

“Eu me perguntei o que queria fazer da minha vida. Pensei: tenho três filhos e um marido para cuidar”, relembra.

Alguns anos depois do acidente, durante o período da pandemia, Reizane começou a produzir bolos caseiros para vender. O bolo de tapioca tornou-se seu carro-chefe e marcou o início de uma atividade que ganharia cada vez mais espaço em sua vida.

Para produzir cada receita, foi necessário encontrar novas maneiras de realizar as tarefas. Reizane precisou se adaptar aos utensílios, às etapas de preparação e aos movimentos necessários na cozinha. Cada tentativa também representava uma nova descoberta sobre aquilo que ainda era capaz de fazer.

Vieram novas tentativas, receitas e clientes. Aos poucos, seu trabalho começou a ser conhecido e a confeitaria passou a representar também uma oportunidade de recuperar a autonomia e contribuir com a família.

MÃE E FILHA: PARCERIA QUE VIROU MARCA

Durante todo esse processo, Reizane encontrou na família uma importante rede de apoio. O esposo esteve presente nos momentos mais difíceis e a filha Manu tornou-se também sua parceira na confeitaria.

A união entre mãe e filha ganhou ainda mais significado em 2021, quando surgiu a marca Mãe e Filha, transformando a parceria familiar em um projeto construído pelas duas.

Hoje, anos depois de precisar reaprender tantas atividades, Reizane olha para a própria trajetória por uma perspectiva diferente. Mais do que pensar naquilo que mudou depois do acidente, ela prefere reconhecer tudo o que descobriu ser capaz de realizar.

O luto e os desafios enfrentados, mostram como Reizane encontrou novas maneiras de conduzir a própria vida.

E é justamente a partir da experiência que viveu que ela deixa uma mensagem para outras pessoas que também enfrentam mudanças provocadas por uma deficiência.

“Eu quero passar uma mensagem para as pessoas que estejam passando por alguma deficiência: tentem se reerguer, olhem para frente, olhem ao seu redor e vejam que lá na frente tem alguém esperando por vocês. Se der errado, lá na frente vai dar certo.”

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